As confecções e o desafio do desenvolvimento regional / parte 2 – Alexandre Comel

As confecções e o desafio do desenvolvimento regional / parte 2 – Alexandre Comel

Quero iniciar nossa conversa de hoje citando uma pequena parábola contada pelo filósofo escocês do século XVIII, David Hume:

“Teu milho está maduro hoje; o meu estará amanhã. É vantajoso para nós dois que eu te ajude a colhê-lo hoje e que tu me ajudes amanhã. Não tenho amizade por ti e sei que também não tens por mim. Portanto, não farei nenhum esforço em teu favor; e sei que se eu te ajudar, esperando alguma retribuição, certamente me decepcionarei, pois não poderei contar com a tua gratidão. Então, deixo de ajudar-te; e tu me pagas na mesma moeda. As estações mudam; e nós dois perdemos nossas colheitas por falta de confiança mútua.”

Analisando o fato acima, podemos perceber que ambas as partes teriam a ganhar se cooperassem, mas preferiram desertar.

Transferindo o caso da parábola para o nosso meio empresarial, conseguimos identificar alguma semelhança? Quanto “milho” será que deixamos de colher devido a ações e às práticas individualistas em detrimento do benefício mútuo? É possível conseguir isoladamente os mesmos benefícios se agíssemos de modo coletivo?

Na coluna anterior levantei a questão sobre os problemas comuns das empresas e por que não buscar as soluções através da cooperação, seja ela entre os empresários e/ou entre estes com os demais agentes regionais (entidades, universidade, poder público, entre outros). Diante dessa situação e dos questionamentos levantados cabe a preocupação em compreender o que os empresários e os demais agentes entendem por cooperação, quais as interações existentes, em que situações ou circunstâncias estão dispostos a cooperar e quais as dificuldades de cooperarem entre si.

Entendo que com as respostas a esses questionamentos teremos mais condições de desenvolvermos um plano estratégico regional integrado, a fim de criarmos um ambiente propício ao desenvolvimento dos negócios locais, estruturando e fortalecendo estas empresas a fim que se tornem mais competitivas frente à concorrência de fora da região, de outro estado ou mesmo do exterior.

Caso contrário, com a nossa incapacidade de assumirmos compromissos comuns estaremos renunciando a muitas oportunidades de proveito mútuo e qualquer semelhança com a parábola do fazendeiro não será mera coincidência.

 

Por Alexandre Comel